1 Ano em Londres

Já faz um ano que estamos morando em Londres. Às vezes parece que faz um tempão que estamos aqui, mas por outro lado em alguns momentos me sinto um peixe fora d’água. Não me arrependo de ter vindo para cá passar um tempo, mas tudo isso foi consequência de meses de planejamento e sacrifícios para conseguirmos viver essa experiência.

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Está sendo muito bom e rico, amadurecemos e ainda estamos amadurecendo bastante a cada dia. Porém, como em qualquer experiência nem tudo são flores. As dificuldades são diversas e coisas que nunca nem imaginei. Dificuldade com a língua, em lidar com diferentes culturas, em conseguir um emprego num escritório, em tremer e suar a cada dia que tem que ir trabalhar, em não saber como falar, escrever ou lidar com as pessoas, conviver com mil e um costumes e comidas diferentes, não ter muito sol e calor, ter muita chuva e vento, não ter arroz e feijão todo dia, não sair para almoçar com sua equipe toda de trabalho num restaurante, etc. Às vezes estou no metrô e escuto sete línguas diferentes e não escuto inglês entre elas.

No começo sentia muita falta da comida brasileira (que AMO muito, principalmente a nordestina), mas hoje em dia está pesando muito mais a falta de convivência com meus amigos, familiares e colegas de trabalho (além do carnaval, claro!). Você passa muito tempo da sua vida no trabalho e aqui a relação com as pessoas é completamente diferente de tudo o que já vivi. Não digo que é bom ou ruim, mas é diferente e para mim isso foi e ainda é um grande choque cultural, pois saí totalmente da minha zona de conforto. Trabalho com pessoas de diferentes partes do mundo, cada um tem seu jeito que é bem diferente do brasileiro e ainda numa área que não é a minha. Larguei meu último trabalho que amava, meus chefes e equipe que adorava demais, e além disso, sei que será difícil voltar a trabalhar aqui em Londres com o que fazia antes.

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Eu não gostava muito de São Paulo por alguns motivos e hoje, mais madura e com a mente aberta, vejo que ela tem problema como outras cidades grandes (às vezes um pouquinho mais admito…), mas consigo enxergar muita coisa boa nela que não via antes. É uma cidade com pessoas maravilhosas, cidade que não dorme, que não pára, pessoas que só pensam em trabalho (e dinheiro), mas é uma cidade cheia de vida, com restaurantes/bares bons que ficam abertos até tarde e que possui moradia cara, mas não tão cara como Londres. Aqui o custo de vida é altíssimo e apesar de termos bastante dias de férias (20 e tantos dias úteis, que podem ser tirados picados e logo após seus meses de experiência – não é necessário esperar um ano), não sobra muito dinheiro para viajar no final do mês.

Além disso, percebi que não conheço nada da minha cidade. Londres é cheia de eventos, museus, parques, etc. Mas São Paulo também tem muita atração cultural que nunca dei valor. Sei que aqui tem coisas melhores como o transporte público e o sistema de saúde, por exemplo. Mas nem tudo são flores. O transporte tem lá seus defeitos sim (nada é perfeito, aqui tem greve, linhas param para manutenção, etc), mas é muito bom, porém temos que pagar um valor MUITO alto para usá-lo. E já o sistema de saúde é bom se comparado ao SUS com certeza! Mas para quem estava acostumado a ter convênio no Brasil, realmente não é a mesma coisa. Lá costumava ir ao médico e hospital para qualquer coisa e fazer exames periódicos para saber se estava tudo bem, mas aqui, mesmo que se tenha convênio particular você precisa passar pelo sistema de saúde público e o atendimento não é o que estamos acostumados, é BEM diferente. Costumava fazer um check-up a cada ano para saber se estava tudo bem e passava de 30 a 40 minutos conversando com meu médico. Fui a minha primeira consulta aqui que durou menos de 10 minutos e a médica disse que eu não tinha que fazer nenhum exame, pois eu estava bem e parecia saudável. Quando perguntei então quando teria que retornar para uma consulta, a resposta foi que eu não precisava voltar, só se estivesse doente. Ou seja, não ocupe o tempo do médico “em vão”.

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Enfim… o que quero dizer é… na minha opinião valeu e ainda está valendo a pena essa experiência. Mas acredito muito que isso está totalmente relacionado a alguns fatores: extremo planejamento inicial e sacrifícios, decisões muito racionais, sorte (sim, infelizmente é questão de sorte também para conseguir um emprego bacana, achar uma casa legal, etc) e principalmente ter um dos meus melhores amigos morando na cidade, me ajudando em tudo e me fazendo sentir que tenho uma família aqui.

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Não é porque moro em Londres que minha vida é perfeita e sem dificuldades, porque não é. Muita gente pensa que morar em Londres é o céu e viver no Brasil é o inferno e não é bem assim. Minha vida era muito boa em São Paulo e não podia reclamar de nada. Aqui  minha vida também é boa, mas já chorei e me desesperei por conta das experiências e situações mais diferentes que já vivi, por causa de dinheiro, por saudade dos meus amigos e da minha família, por repensar as minhas decisões quando minha família estava toda reunida no Ano Novo e só eu não estava lá, por preconceito e rejeições, etc. É tudo uma balança. Agora acho que esses sacrifícios valem, mas daqui há um tempo não sei. Conheço brasileiro que não aguenta mais aqui e quer voltar pro Brasil, como também conheço quem não queira mais voltar. Depende muito da pessoa e da vida que ela leva (e como ela leva a vida), seja na Inglaterra ou no Brasil.

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Sei que é difícil, mas tentem ver as coisas boas da sua cidade, pois com certeza ela tem várias qualidades que passam despercebidas no nosso dia-a-dia.

 

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2 respostas em “1 Ano em Londres

  1. Carol, aguenta firme! A adaptação começou agora com o convívio obrigatório entre pessoas que você não escolheu mas foram colocadas no seu caminho do crescimento. É apenas mais um degrau. Torço por vocês, beijos. Abraço para o Klaus e Pedro.

  2. Aos poucos você acostuma, Carol 🙂
    Aqui no Brasil não tá fácil mesmo. Tenho uma amiga que foi pra Irlanda e dá graças todos os dias porque, apesar de passar as mesmas dificuldades que você, não corre mais o risco de um estupro ou uma bala perdida. Aqui em Porto Alegre temos sérias dificuldades para sair de casa devido à guerra com tráfico, que abate toda a cidade. Eu trocaria qualquer coisa, comida brasileira, presença de amigos, dias de sol, etc etc para ter certeza de que vou chegar em casa bem, em segurança. Infelizmente, aqui já passou do ponto de olhar pelo lado bom =/

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